FORRÓ

   ORIGENS E MANIFESTAÇÕES ATUAIS

    Trabalho apresentado para a disciplina: CULTURA BRASILEIRA

    GRUPO: BERNARDO SCOTTI -  CRISTINA REIS - VANESSA HACON

 

1. Introdução

2. Objetivos

3. Justificativa

4. História

5. Origem da Palavra

6. Como Surgiram os Ritmos que Compõem o Forró

7. A música "nordestina" no Sudeste

8. Representantes do Forró

9. Dança, música e instrumentos musicais

10. Forró tradicional x Neo-forró

11. Bibliografia

Forró: origens e manifestações atuais

Introdução:

O presente trabalho visa à exposição introdutória do tema Forró - música e dança. Uma viagem pelas raízes da música popular nordestina tentará dar embasamento para a explicação da origem, evolução, características básicas, tradição, influências na esfera social e história desta dança originalmente popular.

Objetivos:

O estudo propõe-se a estimular uma discussão sobre a natureza atual do forró nos grandes centros urbanos.  A questão gravita ao redor de uma dúvida eminente e de grande relevância: será hoje o forró uma manifestação de cultura popular - genuína, original e livre - ou simplesmente mais um elemento da cultura brasileira que foi modificado e habilmente manipulado pela indústria cultural para que se constitua num modismo e possa vender mais bens culturais e render mais lucro aos investidores empresariais.

Tentará-se, também, dar um panorama dos caminhos que o ritmo e a dança atravessaram desde sua origem até a atualidade, objetivando entender o presente do forró através do complexo passado do mesmo.

Justificativa:

        O tema forró foi escolhido devido a sua vital importância como representante das tradições culturais populares nordestinas e, especialmente, brasileiras. A dança e a música constituíam, originalmente, manifestações genuínas de cultura popular, que denotavam a arte da existência humana e cotidiana de grupos regionais. Além do que, manifestação que une elementos do batuque - dança proveniente da cultura africana - a elementos rítmicos europeus e indígenas, o forró é emblemático da própria natureza sincrética da cultura brasileira.

Como afirma o historiador Darci Ribeiro, "só se pode falar de cultura brasileira na acepção de uma entidade complexa e fluida que não corresponde a uma forma dada, senão a uma tendência em busca de uma autenticidade jamais lograda plenamente". Enfim, o forró expressa bem a condição de mosaico da cultura brasileira.

História

O forró, assim como o samba, possui as mesmas raízes, ou seja, ambos se originaram da mistura de influências africanas e européias. "Na música nordestina, um toque indígena, uma pitada européia, um tempero africano; é só degustar..." já citava um dos especialistas no assunto.

        O batuque - dança de roda com que os africanos mostravam a sua cultura - foi o tronco principal no que diz respeito à formação da música popular no Brasil. Dele surgiram diversas variações que se espalharam tanto em áreas urbanas quanto rurais sob vários nomes e estilos próprios conforme a região do país.

O Forró como gênero musical pode ser considerado filho do Baião. O nome Forró era usado só para designar o local onde aconteciam os bailes e só mais tarde foi caracterizado como estilo musical, derivado do Baião. Muitos ainda confundem Baião e Forró, e pra ser mais exato, não apenas esses dois gêneros (que são os mais próximos), mas muitos outros existentes na música nordestina. Essa grande variedade de gêneros musicais se dá devido às influências variadas, à mistura de um estilo com outro, fazendo com que os próprios músicos a chamem de "música nortista".

A diferença básica apontada por todos os músicos quando indagados sobre a diferença entre o Baião e o Forró é que a  batida do Baião é mais "quadrada", ou seja, tem menos balanço que o Forró, que também pela introdução da guitarra, e mesmo da bateria na sua orquestração, possibilitou que a música se "mexesse" mais. Um dos motivos que Dominguinhos expressa como empecilho, para que hoje não esteja se tocando Baião, é justamente o fato das pessoas não saberem o que é Baião e o que é Forró.  É justamente aí que está a perda da "memória", ou seja, as pessoas perderam o referencial.

 

Origem da Palavra

A origem da palavra forró é controversa. Há a versão mais popular de sua origem, a de que o nome viria dos dizeres "For All" (em inglês “para todos”). Com a inauguração da primeira estrada de ferro no interior de Pernambuco pela companhia inglesa Great Western, foi feito um baile (ao som da sanfona e zabumba) para comemoração do acontecimento, promovido pela própria empresa, que convidava todos através dos dizeres afixados na entrada: "for all" (para todos). A partir daí então, passariam a chamar os seus bailes populares de Forró. Esta versão foi reforçada quando o cantor e compositor Geraldo Azevedo fez a canção "For all para todos" em 1983 e quando foi lançado o filme “For All- O trampolim da vitória” em  1998.

A segunda versão é dada pelo historiador e pesquisador da cultura popular Luís da Câmara Cascudo, que diz que a origem é o termo africano "forrobodó", que significaria festa, bagunça. Assim então eram chamados os bailes comuns frequentados pelo povo e, com o tempo, por ser mais fácil pronunciar, acabou se tornando, simplesmente, “forró”. A razão de os historiadores, em sua maioria, confirmarem esta versão é o fato de que desde o século 17 já se falava em forrobodó, bem antes dos ingleses construírem suas malhas ferroviárias. Porém, como o poder de persuasão do rádio e da televisão são bem maiores que o dos livros, as pessoas tendem a  acreditar na primeira versão.

O que mais constatou-se durante a pesquisa sobre a etimologia da palavra Forró, é que as pessoas conhecem Forró, como a palavra vinda mesmo de ‘for all’. Isso mais uma vez reforça a influência que os meios de comunicação de massa tem sobre as pessoas de um modo geral.

Como Surgiram os Ritmos que Compõem o Forró

O baião: sua origem remonta ao século XIX, no nordeste do país, mas faltam informações precisas para esse início. Segundo muitos pesquisadores  o baião teria surgido da união do maracatu africano, com o fado português, com uma forma especial de os violeiros tocarem lundu no interior do nordeste e com uma designação regional do samba. O termo baião referiria-se ao estado da Bahia e viria como uma variação do termo baiano. A popularização do ritmo se deu mesmo a partir da década de 40, com Luiz Gonzaga, pernambucano que veio para o Rio de Janeiro e gravou inúmeras músicas, que falavam do cotidiano nordestino. Esse tipo de baião cantado sofreu influências de outros ritmos, como o samba e a conga. Nos anos 70, Gil e Caetano com o tropicalismo e o interesse em resgatar os ritmos genuinamente brasileiros, deram nova força ao baião. O baião apresenta diferenças regionais e de época. Existe o baião de Pernambuco, que é o tradicional, tocado com sanfona, triângulo e zabumba, cujos maiores representantes são Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Já o baião de Fortaleza incorporou instrumentos mais modernos, como guitarra e bateria.

 

O xote: Dança de salão de origem alemã, surgiu nos salões aristocráticos na época da Regência - final do séc XIX. Conhecido originalmente com o nome schottisch, dominou no período do Segundo Reinado incorporando-se depois às funções populares urbanas, passando a ficar conhecido como chótis e finalmente xote. Saiu dos salões urbanos para incorporar-se às regiões rurais, onde muitas vezes aparece com outras denominações.

 

O xaxado: o nome provém do som que os sapatos faziam no chão ao se dançar; é uma dança do agreste e sertão pernambucano, bailada somente por homens, que remonta da década de 20. O acompanhamento era puramente vocal, melodia simples, ritmo ligeiro, e letra agressiva e satírica. Atualmente a dança não é mais unicamente masculina e a figura dos pares já é bastante evidenciada. Tornou-se popular pelos cangaceiros do grupo de Lampião, que levado pelos pés destes imigrou de Pernambuco até o interior da Bahia.

 

O coco: dança de roda do norte e nordeste do Brasil, fusão da musicalidade negra e cabocla. Acredita-se que tenha nascido nas praias, daí a sua designação. O ritmo sofreu várias alterações com o aparecimento do baião nas caatingas e agreste. Como compositor que popularizou o ritmo podemos citar Jackson do Pandeiro.

 

O vanerão: é o forró dançado no sul do país. Caracteriza-se por ser uma dança em que os pares giram pelo salão com imensa mobilidade e rapidez.

 

As quadrilhas juninas: são de natureza rural, da tradição européia do culto ao fogo, anteriores ao cristianismo. A Igreja Cristã adaptou a festa de São João para absorver os cultos agrários pagãos. No Brasil a festa é acompanhada de muita música e dança: a quadrilha (dança das Cortes européias),o forró, o baião, o xote, o xaxado, e o Coco-de-Roda.

Atualmente o forró está sofrendo alterações em relação ao seu perfil original com o surgimento de novos grupos musicais e o sucesso que está fazendo entre os jovens. "A maioria destes grupos se formou após a febre da lambada, e a música que eles fazem é chamada de lambaforró ou oxentemusic. A dança também se modificou, assimilando passos da lambada (principalmente os giros)" afirma Dominguinhos. Diz, ainda, "que da mesma forma que o pagode ressuscitou sambistas antigos, como Martinho da Vila e Paulinho da Viola, os novos grupos de forró estão ajudando a divulgar o ritmo e suscitar interesse nos velhos mestres, como ele e Gonzagão". Podemos concluir, portanto, que o forró é um caldeirão de culturas de várias épocas e regiões que vai se modificando e se adaptando a cada geração.

A música "nordestina" no Sudeste

Desde o início do século XX, e com mais força na segunda metade da década de 50, percebemos a presença da música nordestina no sul do país.  Os Forrós (casas de dança) no sul e sudeste surgiram entre 1955 e 60, no auge da migração de nordestinos para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, a procura de trabalho.

Nas horas vagas (lazer), esses trabalhadores - vindos dos mais variados pontos do nordeste - reuniam-se nas construções com outros nordestinos para cantar e tocar. Era, portanto, uma manifestação cultural que representava a nostalgia, a saudade e o saudosismo dos migrantes por sua terra de origem, além de uma forma de válvula de escape para indivíduos presentes num ambiente hostil e muitas vezes miserável.

            O resultado de toda essa mistura, foi essa nova música urbana que lembrava as origens de um público que se formava (nordestinos) e aumentava a cada dia. Toda essa situação propiciou a criação de um mercado para essa música, e conseqüentemente várias gravadoras interessadas em lançar esses ritmos como o xaxado, o coco, o xote, a polca e a mazurca. Percebeu-se também a necessidade da criação de um lugar onde essas pessoas pudessem se encontrar, principalmente para obter diversão. Daí o “boom” das casas de Forró na década de 60.

Depois de um período de certo esquecimento do Baião e de alguns outros gêneros musicais nordestinos, alguns artistas na década de 60 (Gilberto Gil, Caetano Veloso, Geraldo Vandré, etc.) deram um empurrão e nova valorização à essa música, compondo e gravando músicas no estilo. A mídia teve uma forte influência nesse aspecto, tanto o rádio como a televisão. A partir daí, o forró invadiu as universidades via centros acadêmicos, até virar moda dentro de ambientes mais intelectualizados, chegando também aos programas de televisão.

Representantes do Forró

A popularização do ritmo se deu mesmo a partir da década de 40, com Luiz Gonzaga, pernambucano que veio para o Rio de Janeiro e gravou inúmeras músicas, que falavam do cotidiano nordestino. A música nordestina de Luiz Gonzaga sofreu preconceito no início. O diretor artístico da rádio nacional não o deixava sequer usar o chapéu de couro e a roupa de cangaceiro que fariam parte de seu visual durante toda a carreira no futuro. Porém, mais ou menos como vem acontecendo hoje em São Paulo e em outros centros, o forró foi conquistando o grande público, deixando de ser só uma música para saudoso migrantes nordestinos ou pessoas de classe social inferior. E o modo poético como Gonzagão cantava sua vivência dura de sertanejo, as tristezas e as doçuras da vida nordestina tão esquecida pelo resto do Brasil foi entrando lentamente no coração de todo o país.

        Outra figura chave no Forró  foi o paraibano Jackson do Pandeiro. Este é considerado o maior ritmista da história da música popular brasileira e, ao lado de Luiz Gonzaga, o responsável pela nacionalização de canções nascidas entre o povo nordestino.

A história de sua carreira artística reforça a herança da influência negra na música nordestina _ via cocos originários de Alagoas- que lhe permitiram sempre com o auxílio luxuoso de um pandeiro na mão se adaptar aos sincopados sambas cariocas e à

música de carnaval em geral.       Dono de um recurso vocal único, ele conseguia dividir seus vocais como nenhum outro cantor na música popular brasileira. Seu maior mérito foi ter levado toda a riqueza dos cantadores de feira livre do Nordeste para o rádio e televisão,

enfim, para a indústria cultural. Grandes nomes da MPB lhe devotam admiração e

já gravaram seus sucessos.

Dança, música e instrumentos musicais

A coreografia do Forró não é de passos determinados, ela consiste basicamente no  improviso dos movimentos. Isto também se aplica às letras das músicas, onde a marca principal é o improviso dos cantores, inspirados nas circunstâncias.

Na dança, formam-se pares, homens com mulheres. Estes pares podem a vir ou não a se desfazer durante o desenrolar da festa, não existe uma norma para a formação do par, ficando de livre escolha, podendo muitas vezes na falta de com quem dançar, dançar com crianças, sozinho ou mulher com outra mulher.

A quantidade de músicos pode variar bastante; são predominantemente em número de três, os chamados Trios de Forró (sanfona, triângulo e zabumba), mas ocasionalmente este número pode cair para dois ou até mesmo um. Os instrumentos são basicamente: sanfona, triângulo, zabumba, podendo ainda fazer parte a rabeca, pandeiro e agogô.

Forró tradicional x Neo-forró

               Continuar tocando a mesma música que se fazia há tempos atrás, indo de encontro a essa avalanche de "música-nova" que está aparecendo, é sempre muito difícil e perigoso. Tentar manter a música (arte) estagnada no tempo nem sempre é uma coisa muito boa, ou seja, negar todas as coisas novas que estão aparecendo pode ser uma atitude de certo modo retrógrada. Mas, também não é fácil aceitar uma mudança brusca em algo que se faz há mais de 40 anos e se diz ter aceitação.    

                    Ao mesmo tempo devemos levar em conta que, se esse mesmo Baião feito há 40 anos ainda hoje fosse bem aceito, ou seja, se as pessoas ainda apreciassem essa música quadrada de sanfona, zabumba e triângulo então não escutariam o que está espalhado por todos os lugares do Brasil hoje. Esse neo-Forró está tomando conta não só do Ceará mas de todo o Brasil, e a preocupação apontada por muitos é justamente essa, pois essa música que está sendo apresentada fora do circuito Nordestino não é o verdadeiro Forró, ou seja, a batida não é de Forró, a dança não é de Forró, não tocam a sanfona como no Forró, então que música é essa? Quem escuta esse novo Forró e não tem outros referenciais pode passar a acreditar que essa música é realmente Forró, o que não causaria nenhum um grande problema, o pior é quem passasse a não gostar do que nem conhece. Daí entra o preconceito. O "X" da questão não está só na inclusão de novos instrumentos à orquestração do Forró, mas no modo como é executado cada instrumento.    

O que se percebe é que hoje algumas bandas não são formadas no intuito de fazer música, e sim, ganhar dinheiro.  As bandas de Forró possuem um apelo regionalista revestido de embalagem pop e vêm alcançando o sucesso por meio de formas populares já assentadas em nossa cultura.

Bibliografia

 

Livros

-Alvarenga, Oneyda. 1942. Música Popular Brasileira. São Paulo. ‘Lundu e Danças Afins’. P.177. 2ª Edição.    Livraria Duas Cidades
- Carvalho, Rodrigues de. 1928. Cancioneiro do Norte. Paraíba do Norte. 71. 2º Edição
- Cascudo, Luís da Câmara. Vaqueiros e Cantadores. p. 143 (em Almeida RJ, José Alberto de. 1997. Os Cantadores de Cordel do Nordeste Brasileiro: Relentara de Uma Prática Medieval. p. 06. Universidade Estadual do Ceará. CNPq - PIBIC).
- Cascudo, Luís da C. 1962. Dicionário do Folclore Brasileiro. 2ª ED. Rio de .Janeiro. Instituto Nacional do Livro. Ministério da Educação e Cultura.
- Cascudo, Luís da Câmara. 1988. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6ª Edição. Belo Horizonte, Itatiaia - São Paulo. p. 95. Editora da Universidade de São Paulo.
- Enciclopédia Brasileira Globo. 1975. Vol.II - 14ª. Porto Alegre. Edição. Editora Globo
- Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. 1977. Mini Dicionário da Língua Portuguesa. 1ª Ed. 5ª Impressão. Rio de Janeiro. p.207. Editora Nova Fronteira S.A.

- Phaelante, Renato. Set / Out de 1995. Forró: Identidade Nordestina. Fundação joaquim Nabuco (Instituto de Pesquisas Sociais / Departamento de Antropologia). Recife - PE. Brasil

 

Sites:

. www.brasilfolclore.hpg.ig.com.br/baio.htm
. www.brasilfolclore.hpg.ig.com.br/xaxado.htm
. www.brasilfolclore.hpg.ig.com.br/forr.htm
. www.forrozaria.hpg.ig.com.br/oforro/middle.htm
. www.geocities.com/Vienna/studio/3006/introducao.htm
. www.geocities.com/Vienna/studio/3006/forro.htm
. www.geocities.com/Vienna/studio/3006/desenvolvimento.htm
.www.portaldoforro.com.br/historia.htm
.
http://sites.uol.com.br/xepero1/

 

Entrevistas:

-José Domingos de Morais (Dominguinhos). Nasceu em Garanhús - Pernambuco em 12//02/1941. Entrevista realizada em 05/04/2002. Rio de Janeiro, RJ. 

 -Entrevista com a Banda Cipó Cravo (MG). Entrevista realizada em 05/04/2002. Rio de Janeiro, RJ.

- Entrevista com o Trio Pé-de-Serra (RJ). Entrevista realizada em 12/04/2002. Rio de Janeiro, RJ.

VOLTAR