Gênero Generalizado
Não dá para ser feliz quando há limite para nossas possibilidades de Ser
Ser homem implica em não poder chorar? Em viver para trabalhar?
Ser mulher restringe-se ao gerar? A colo dar?
Pode o gênero continuar generalizando tanto?
Poder pode, mas gera pranto
Coerção, padronização, conformação
Seriam estes os instrumentos dolorosos de uma cultura?
Fazem um homem, guerreiro, menino chorar
Sangrar
A mulher também sangra
A ela foi confinado um papel, pequeno e grande papel
De ao marido viver, falar manso, ser caridosa
E ter filho, cuidar dos filhos, cuidar da casa
Ter cabelo comprido e usar saia comportada
Deus que livre a gente desse peso!
O ombro do homem pesa,
É o peso da história
A cabeça da mulher também pesa
Em consciência ardil
Quem inventou a expressão: “Vá para a puta que o pariu?”
A mulher, que terror ela personifica!
No Oriente, tapam-lhe o rosto, o corpo, a fala, alma
No Ocidente, dão-lhe a escolha com uma mão
Mas com a pedra na outra, censuram com olhos frios a expressão
E a liberdade
Afinal, quem quer ser mal vista pela sociedade?
Sorridente mulher? Contenha-se!
Homossexual? Esconda-se!
Chorou, homem? Envergonhe-se!
E o pior, a puta não é mais a que se vende
É a que não se prende a um homem
Ou a que vive, dança, sorri, se defende.
O viver não pode continuar tão doído
Você deve encontrar um novo caminho!
Ao homem, venha como honra o carinho, a candura, a doçura
À mulher, deixe-a ser mais que apenas mãe e esposa
Deixe-a ser do mundo...
Não temos por que deixar que continue assim
Desse jeito
A gente berra, “se morre, se mata”
...
E não dá para ser feliz!
Texto escrito por Ilana Eleá Santiago
Como fruto de análise sobre a música Guerreiro Menino, de Gonzaguinha.