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Entrevista com Gil
(Classe de Alfabetização - Colégio Faria Brito –Recreio, RJ)
Como a sua prática foi desenvolvida? Intuitivamente ou através de cursos e formação continuada?
Cheguei para trabalhar no Faria Brito com prática apenas no método tradicional. Tudo o que eu fazia em sala era baseado em modelos, eu copiava e seguia as apostilas e programa dos livros didáticos, até porque a escola também era tradicional, só depois que a escola foi aos poucos mudando a proposta.
Foi quando eu comecei a estudar muito: Emília Ferreiro, Piaget, Lino, Paulo Freire, tudo o que aparecia a gente devorava. Precisamos na época buscar ajuda com outros profissionais que já trabalhavam utilizando esta nova proposta, buscamos pessoas para assessorarem a mim e ao meu grupo da Alfabetização.
Fizemos alguns cursos fora também, como na Escola da Vila, em São Paulo que foi uma escola mesmo! Foi lá que comecei a refletir sobre a prática... Percebemos a importância de analisar, conhecer e aproveitar todo conhecimento que o aluno já tem acerca do código escrito. Colher resultados é muito bom, mas compreender como ele acomoda os conhecimentos é muito melhor.
Desde então as perguntas que eu aprendi a carregar são: essa atividade que eu estou propondo ao meu aluno vai levá-lo até onde? O que eu estou pretendendo com isso? Minha preocupação é apenas em alfabetizar? E o letrar?
A gente deve ter a visão de antes de fazer qualquer planejamento querer sempre saber onde queremos chegar, o que queremos que os alunos aprendam. E isso só acontece quando você toma consciência da sua importância no desenvolvimento desse cidadão.
Não adianta procurar receitas de bolo em livros porque não encontra. Você encontra uma teoria sobre como esse aluno constrói, mas é no dia-a-dia que você descobre e vai podendo mudar sua prática, refletindo, testando, vendo como se pode estar fazendo melhor.
Depois de ter mudado para a proposta construtivusta, você passou a sentir diferença nos resultados?
Muita. Acho que a diferença mais gritante que aconteceu no meu trabalho com a mudança da prática é que antes as crianças camuflavam muito as dificuldades, era muito treino. Agora, temos alunos mais criativos e questionadores, são mais atuantes.
Como elas só tinham que repetir, repetir, dificilmente podia-se perceber durante o processo quando a criança apresentava alguma dificuldade.
Agora, como eles são estimulados a construir os conceitos por si só, sem cópia, você passa a acompanhar de perto os progressos e percalços de cada fase, tendo maior poder de influência para auxiliar no processo.
Você passa a diagnosticar os aspectos que essa criança vai ter que estar desenvolvendo pra conquistar a autonomia necessária para resolver seus problemas.
O resultado é muito melhor, você vê crianças omitindo opiniões, questionando, e tendo produções mais criativas. Eles não escrevem mais frases formatadas, escrevem sobre fatos que acontecem no dia-a-dia.
Deixe uma dica!
A melhor dica é não estar usando os livros como manual nem como modelo. É a reflexão o tempo todo, de tudo o que você faz, o estar analisando, querendo buscar e dar sempre o melhor, muito estudo e observação das pessoas que tem mais experiência que vão garantir o seu sucesso como educadora.