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Italo Calvino

 

Cronologia retirada do livro:

 CALVINO, Italo. Il Visconte Dimezzato. Verona: Ed. Oscar Mondadori, 2002, Itália.

Tradução por Ilana Eleá Santiago.

www.mondadori.com/libri

 

                                                                      

 

           

 

Dados biográficos: eu sou também daqueles que acreditam, como Croce, que de um autor contam apenas as obras. (Quando contam, naturalmente). Por isso dodos biográficos eu não os dou, ou dou-os falsos, ou então procuro sempre mudá-los uma hora e outra. Me pergunte apenas o que você quiser saber que te direi. Mas não te direi jamais a verdade, disto você pode estar certo.” (Carta a Germana Pescio, em 9 de junho de 1964.)

 

Cada vez que revejo a minha vida fixada e objetivada, me sinto preso em angústia, sobretudo quando se trata de notícias que eu tenha fornecido. Redizendo as mesmas coisas com outras palavras, espero sempre circundar o meu relato neurótico com a autobiografia.” (Carta a Claudio Milanini, em 27 de julho de 1985.)

 

 

 

Cronologia

 

 

1923 – Italo Calvino nascem em 15 de outubro em Santiago de Las Vegas, Havana. Seu pai, Mario, é um agrônomo de antiga família de San Remo, que se encontra em Cuba depois de ter ficado uns 20 anos no México para dirigir uma estação experimental de agricultura e uma escola agrária. Sua mãe, Evelina Mameli, de origem sasseresse, graduou-se em Ciências Naturais e trabalha como assistente de botânica na Universidade de Pávia.

 

“ Minha mãe era uma mulher muito severa, austera, rígida nas suas idéias, tanto sobre as pequenas quanto sobre as grandes coisas. Também meu pai era muito austero e introspectivo, mas a sua severidade era muito rumorosa, colérica, intermitente.

Meu pai como personagem narrativo vem melhor, seja como velho ligure muito radicado no seu ambiente, seja como um homem que já tinha girado o mundo e que tinha visto a Revolução Mexicana no tempo de Pancho Villa. Eram duas personalidades muito fortes e caracterizadas.

 

 

1925 (2 anos) – A família Calvino retorna à Itália. O voltar à pátria já estava programado há tempo, e reprogramado por causa da chegada do primogênito: o qual, por sua parte, não conservando do lugar de nascimento mais que um mero e obstruído dado para registro civil, se dirá sempre ligure, ou mais precisamente, sanremense.

 

“Cresci em uma cidadezinha que era diferente do resto da Itália. Nos tempos em que eu era criança, San Remo era do tempo ainda de ser povoada de velhos ingleses, grão-duques russos, gente ecêntrica e cosmopolita. E a minha família era, ao contrário, insólita. Seja por San Remo seja pela Itália de então: cientistas, adoradores da natureza, pensadores liberais... (...) Meu pai (...) de família republicana anticlerical massônica, era na juventude um anárquico kropotkiani e depois socialista reformista (...) Minha mãe, de família laica, cresceu na religião do dever civil e da ciência, sendo socialista interventista nos anos 15, mas sempre com uma fé tenaz e pacifista.”

 

Os Calvino viveram entre a vila “Meridiana” e a propriedade rural de São João Batista. O pai dirige a Estação experimental de floricultura “Orazio Raimondo, frequentada por jovens de muitos países, inclusive por extra-europeus. Depois que o Banco Garibaldi de San Remo faliu, deixa à disposição o pouco conseguido na vila para se dedicar à atividade de pesquisa e ensino.

 

“Entre os meus familiares somente os estudos científicos eram honrados; um tio materno meu era químico, professor universitário, casado com uma química; tive dois tios químicos casados com tias químicas (...) eu sou a ovelha negra, o único literato da família.” (Accr 60)

 

Atualizado em 25/03/2002