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PUC-Rio

Tecnologia Educacional

Profa. Marimar Stahl

Aluna – Ilana Eleá Santiago

Data – 12/03/2002.

 

Comentário sobre o Texto> "Tempo de estudo, nada de férias". IN: CLARKE, Arthur. Um dia na vida do séc. XXI. RJ: Nova Fronteira, 1989.

 

 

Não há dúvidas que o avanço tecnológico permite que façamos previsões futuristas sobre a organização da sociedade, pois a mesma, a cada dia, é tomada por inovações que nossos avós não poderiam supor ser possível!

Com a explosão das teleconferências, a informatização das agencias bancárias, a Internet, a tecnologia nos estacionamentos de shoppings, o desenvolvimento da robótica, percebemos o quanto essa nova geração tem se apropriado da tecnologia.

Como educadores, antes de cairmos num vislumbre sobre as supostas facilidades que a tecnologia proporciona, proponho reflexões sobre os reais objetivos de nossa sociedade, haja vista o enorme fosso em que se encontram as pessoas excluídas, fruto do sistema capitalista global.

Afinal, entram máquinas e saem homens. Aqui no Rio de Janeiro acompanhamos o desespero dos trocadores de ônibus, ao saberem que estaria sendo votada a permissão para a instalação de catracas eletrônicas. Num pais desigual, onde falta comida, moradia, condições de saúde, emprego, propor inovações como essa privilegia apenas os detentores do poder e do capital. Dá para pensar em inovar quando ainda se passa fome?

Uma outra crítica seria quanto a afirmação de que: "a maior eficiência tecnológica gera maior tempo de lazer". Isto não é verdade. Embora tenhamos conquistado serviços que nos poupam tempo, da mesma forma, há uma luta quase esquizofrênica pela atualização e capacitação constante nesse mundo de informações descartáveis, o que continua fazendo com que o homem contemporâneo se sinta afogado e pressionado, consumido pela eterno sentimento de falta de tempo.

Que venha a tecnologia. Mas que ela não tranque as pessoas em seus mundos individuais e chapados por telas de cristal líquido, mesmo que por ali estejam circulando a mais fascinante rede de informações.

Que a educação ainda se preocupe com a formação de grupos, de contatos físicos, de respirar o ar e olhar a volta, inclusive para a realidade dos excluídos. Sociedade desenvolvida é que a se preocupa com o próximo, aceita diferenças, ouve, cria e se apaixona. E de preferência não por filhos-robôs, como tão bem retratado no filme "Inteligência Artificial".